Em junho, a escritora brasileira Aline Bei esteve em Barcelona como convidada do Festival Km Amèrica, organizado pela Casa Amèrica Catalunya, com apoio do Instituto Guimarães Rosa.E, como não podia deixar de ser, aproveitamos sua passagem por aqui para organizar, com muito prazer, um encontro exclusivo de Aline com nossos alunos.Leia mais
Por ocasião da publicação pelas Éditions Gallimard de “Poèmes choisis”, de João Cabral de Melo Neto, tradução de Mathieu Dosse, o Departamento de Estudos Catalães e Estudos Portugueses do CRIMIC (Centre de Recherches Interdisciplinaires sur les Mondes Ibériques da Sorbonne Université) organizam uma jornada de estudos dedicada aos laços que o poeta brasileiro estabeleceu na Catalunha, e em particular com os artistas catalães do grupo Dau al set.
Palestrantes: Mathieu Dosse, tradutor, Marc Audí (Université Bordeaux Montaigne), Glòria Bordons (Universitat de Barcelona), Michel Riaudel (Sorbonne Université), Roberto Zular (Universidade de São Paulo-FFLCH), e Wagner Novaes (diretor do Centro Cultural do Brasil em Barcelona)
Organização e coordenação: Mònica Güell e Michel Riaudel (Sorbonne Université, CRIMIC EA 2561) Departamento de Estudos Catalães e Estudos Portugueses
No Instituto de Estudos Hispânicos, sala Delpy (Paris)
Lygia Fagundes Telles na sessão solene do Centenário da ABL
A acadêmica e escritora Lygia Fagundes Telles morreu de causas naturais na manhã do dia 3 de abril, aos 98 anos, em São Paulo. O velório será neste domingo, a partir das 16h, na Academia Paulista. Seu corpo será cremado no cemitério da Vila Alpina. A ABL fará uma Sessão da Saudade na próxima quinta-feira, dia 7 de abril, no Salão Nobre, em homenagem à autora. Lygia foi uma das maiores representantes da literatura brasileira. Era a quarta ocupante da Cadeira nº 16 da Academia Brasileira de Letras, tendo sido eleita em outubro de 1985, na sucessão de Pedro Calmon.
Lygia Fagundes Telles recebeu vários prêmios ao longo da carreira, tais como o Camões (2005), Jabuti (1966, 1974 e 2001 e o Guimarães Rosa (1972). Possui obras traduzidas para o alemão, espanhol, francês, inglês, italiano, polonês, sueco, tcheco, português de Portugal. Contribuiu para diversas áreas da cultura, com adaptações para o cinema, teatro e TV. Escreveu, por exemplo, “Ciranda de pedra”, obra publicada em 1954. O livro foi adaptado para televisão em 1986, pela TV Globo, em formato de novela escrita por Janete Clair, com a colaboração de Dias Gomes. Foi também uma das autoras do manifesto dos intelectuais contra a censura.
É considerada uma das grandes referências no pós-modernismo, tendo escrito obras que abordam temas diversos, como a morte, o amor, o medo e a loucura, além da fantasia. Seu primeiro livro de contos, “Porões e sobrados”, foi publicado em 1938.
A acadêmica
Lygia Fagundes Telles nasceu em São Paulo no dia 19 de abril de 1923. Foi casada com o crítico de cinema, professor e ensaísta Paulo Emílio Salles. Considerada por acadêmicos, críticos e leitores uma das mais importantes e notáveis escritoras brasileiras do século XX e da história da literatura brasileira. Graduada em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e, em 1939, cursou o pré-jurídico e a Escola Superior de Educação Física na mesma universidade. Além de advogada, romancista e contista, tem grande representação no pós-modernismo.
Alguns de seus livros mais importantes são “Antes do Baile Verde” (1970), cujo conto que dá título ao livro recebeu o Primeiro Prêmio no Concurso Internacional de Escritoras, na França. “As Meninas” (1973), romance que recebeu os Prêmios Jabuti, Coelho Neto, da Academia Brasileira de Letras, e “Ficção” da Associação Paulista de Críticos de Arte. “A Disciplina do Amor” (1980) recebeu o Prêmio Jabuti e o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte. O romance “As Horas Nuas” (1989) recebeu o Prêmio Pedro Nava de Melhor Livro do Ano. A consagração definitiva veio com o Prêmio Camões, distinção maior em língua portuguesa pelo conjunto de obra, em 2005.
Foi procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo, cargo que exerceu até a aposentadoria, e presidente da Cinemateca Brasileira, fundada por Paulo Emílio Sales Gomes. Além da Academia Brasileira de Letras, foi membro da Academia Paulista de Letras. Participou de feiras de livros e congressos realizados não só no Brasil, mas também em Portugal, Espanha, Itália, México, Estados Unidos, França, Alemanha, República Tcheca, Canadá e Suécia, países nos quais foram publicados seus contos e romances.
A língua portuguesa é uma “costura de culturas”, tecida e partilhada por seus falantes. Inspire-se nos depoimentos de autores lusófonos sobre a cultura e o falar do Brasil.
No dia 5 de maio, quarta-feira, celebraremos o Dia Mundial da Língua Portuguesa.
O Consulado-Geral do Brasil e o Consulado-Geral de Portugal, o Instituto Camões, o Centro Cultural do Brasil em Barcelona e Biblioteques de Barcelona promovem um ato comemorativo, às 18h30, na Biblioteca Mercè Rodoreda, evento que pode ser acompanhado em
A partir deste 23 de abril de 2021, Dia do Livro, será inaugurada nas redes sociais da Embaixada do Brasil em Madri – Facebook e Instagram – LIBROS TODOS LOS DIAS, uma iniciativa que busca divulgar a literatura brasileira entre o público espanhol. Durante vários dias serão publicados vídeos de editoras espanholas que apresentarão obras de escritores brasileiros que têm catalogados, assim como recomendações de livreiros e leitores, alguns deles traduzidos e publicados na Espanha, e outros não.
Não percam essa excelente oportunidade tanto para reencontrar-se com autores que conhecem e admiram, como também fazerem novos descobrimentos literarios.
Elena Losada, profesora de Literatura Portuguesa y Brasileña, de la Universidad de Barcelona, además de traductora, nos recomienda una obra de Clarice Lispector.
Revista de Cultura Brasileira – número 3
Dezembro de 196203_12_1962 Clique para ler a revista
RECIFE DE DENTRO PRA FORA
O filme em 35mm mais premiado da década de 90,
desvenda o olhar do rio Capibaribe para suas margens.
Tem como base o poema O Cão sem Plumas, de João Cabral de Melo Neto,
e a Trilha sonora de Geraldo Azevedo. De forma poética mostra
as agressões ao meio ambiente, sofridas pelo rio, na sua trajetória,
até as águas ficarem limpas, de novo.
Produzido pela ARRECIFE Produções e dirigido por Katia Mesel.
Em 2020 se comemora o primeiro centenário do nascimento de João Cabral de Melo Neto. Aqui, na nossa página, vamos homenageá-lo por este evento e pelo fato de ter trabalhado no Consulado do Brasil em Barcelona, em dois períodos distintos: entre 1947 e 1950 (vice-cônsul), e entre 1967 e 1970 (cônsul-geral).
Além de sua biografia (Academia Brasileira de Letras, Enciclopédia Catalã, Prêmio Reina Sofia e Enciclopédia Britânica), aqui aparecerão várias informações sobre o poeta e sua obra, atualizadas semanalmente. Haverá uma informação semanal especial: um número completo da Revista de Cultura Brasileña, dos 52 editados pela Embaixada do Brasil em Madri, por iniciativa de João Cabral de Melo Neto e dirigida por Ángel Crespo (poeta, tradutor de Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa).
João Cabral de Melo Neto nasceu na cidade do Recife, a 9 de janeiro de 1920 e faleceu no dia 9 de outubro de 1999, no Rio de Janeiro, aos 79 anos. Eleito membro da Academia Brasileira de Letras em 15 de agosto de 1968, tomou posse em 6 de maio de 1969. Foi recebido por José Américo.
Filho de Luís Antônio Cabral de Melo e de Carmen Carneiro Leão Cabral de Melo. Parte da infância de João Cabral foi vivida em engenhos da família nos municípios de São Lourenço da Mata e de Moreno. Aos dez anos, com a família de regresso ao Recife, ingressou João Cabral no Colégio de Ponte d’Uchoa, dos Irmãos Maristas, onde permanece até concluir o curso secundário. Em 1938 freqüentou o Café Lafayette, ponto de encontro de intelectuais que residiam no Recife.
Dois anos depois a família transferiu-se para o Rio de Janeiro mas a mudança definitiva só foi realizada em fins de 1942, ano em que publicara o seu primeiro livro de poemas – “Pedra do Sono”.
No Rio, depois de ter sido funcionário do DASP, inscreveu-se, em 1945, no concurso para a carreira de diplomata. Daí por diante, já enquadrado no Itamarati, inicia uma larga peregrinação por diversos países, incluindo, até mesmo, a República africana do Senegal. Em 1984 é designado para o posto de cônsul-geral na cidade do Porto (Portugal). Em 1987 volta a residir no Rio de Janeiro.
A atividade literária acompanhou-o durante todos esses anos no exterior e no Brasil, o que lhe valeu ser contemplado com numerosos prêmios, entre os quais – Prêmio José de Anchieta, de poesia, do IV Centenário de São Paulo (1954); Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras (1955); Prêmio de Poesia do Instituto Nacional do Livro; Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro; Prêmio Bienal Nestlé, pelo conjunto da Obra e Prêmio da União Brasileira de Escritores, pelo livro “Crime na Calle Relator” (1988).
Em 1990 João Cabral de Melo Neto é aposentado no posto de Embaixador. A Editora Nova Aguilar, do Rio de Janeiro, publica, no ano de 1994, sua “Obra completa”.
A um importante trabalho de pesquisa histórico-documental, editado pelo Ministério das Relações Exteriores, deu João Cabral o título de “O Brasil no arquivo das Índias de Sevilha”. Com as comemorações programadas neste final do século, relacionadas com os feitos dos navegadores espanhóis e portugueses nos anos que antecederam ou se seguiram ao descobrimento da América, e, em particular ao do Brasil, a pesquisa de João Cabral assumiu valor inestimável para os historiadores dos feitos marítimos, praticados naquela época.
Da obra poética de João Cabral pode-se mencionar, ao acaso, pela sua variedade, os seguintes títulos: “Pedra do sono”, 1942; “O engenheiro”, 1945; “O cão sem plumas”, 1950; “O rio”, 1954; “Quaderna”, 1960; “Poemas escolhidos”, 1963; “A educação pela pedra”, 1966; “Morte e vida severina e outros poemas em voz alta”, 1966; “Museu de tudo”, 1975; “A escola das facas”, 1980; “Agreste”, 1985; “Auto do frade”, 1986; “Crime na Calle Relator”, 1987; “Sevilla andando”, 1989.
Em prosa, além do livro de pesquisa histórica já citado, João Cabral publicou “Juan Miró”, 1952 e “Considerações sobre o poeta dormindo”, 1941.
Os “Cadernos de Literatura Brasileira”, notável publicação editada pelo Instituto Moreira Salles – dedicou seu Número I – março de 1996, ao poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, com selecionada colaboração de escritores brasileiros, portugueses e espanhóis e abundante material iconográfico.
Recife, 1920 — Rio de Janeiro, 9 d’octubre de 1999
Diplomàtic de carrera, fou durant molts anys cònsol a Barcelona. Iniciat en la poesia hermètica a Pedra do sono (1942) i O engenheiro (1945), evolucionà cap a l’expressió de la problemàtica socioeconòmica del nord-est brasiler, la qual cosa el convertí en el poeta de més ressonància al seu país. Cal destacar Quaderna (1960), Dois parlamentos (1961) i Educação pela pedra (1966), Agrestes (1985) i Crime na Calle Relator (1987). Conreà també el teatre d’inspiració popular (Morte e vida severina, 1956), l’assaig (Joan Miró, 1950), publicat a Barcelona, i el llibre de records: Paisagens com figuras (1955), sobre la seva estada a Catalunya. Influí en la primera època de Joan Brossa, del qual prologà Em va fer Joan Brossa (1952); aquest publicà a Dau al Set versions catalanes de poemes de Cabral (1949).
(Recife, Brasil, 1920 – Río de Janeiro, Brasil, 1999)
João Cabral de Melo Neto es una de las figuras más representativas de la cultura y la poesía brasileñas e iberoamericanas de nuestro tiempo. Su obra es un ejemplo difícilmente superable de rigor y lucidez intelectual, tanto en lo que se refiere a la creación de un lenguaje poético propio como en cuanto atañe a la teoría de la composición…; y ello sin perjuicio de una temática cuyos polos son la denuncia de una realidad social injusta y el ascetismo intelectual y técnico del propio poeta. Históricamente, Cabral de Melo es uno de los miembros de la llamada «Generación del 45», cuyo principal órgano de expresión fue la revista carioca Orfeu (1947-1953). Su obra poética se abrió con Pedra do sono (1942) y se alarga en otros
18 volúmenes que incluyen O engenheiro (1945), O cão sem plumas (1950), Quaderna (1969), A educação pela pedra (1966), Museu de tudo (1975), Auto do frade (1984) y se cierran con Sevilla andando (1990). Recibió, además del Premio Reina Sofía de Poesía Iberoamericana (1994), el Premio Camões en Portugal/Brasil y el Neustadt International Prize for Literatura en Estados Unidos. Fue miembro de la Academia Brasileña de las Letras.
João Cabral de Melo Neto, (born January 6, 1920, Recife, Brazil—died October 9, 1999, Rio de Janeiro), Brazilian poet and diplomat, one of the last great figures of the golden age of Brazilian poetry.
Melo Neto was born to a distinguished family of landowners. He had a brief stint as a public servant before he moved in 1940 to Rio de Janeiro. In 1942 he published his first collection of poems, Pedra do sono (“Stone of Sleep”). Although his early work was marked by Surrealist and Cubist influences, his collection O engenheiro (1945; “The Engineer”) revealed him as a leading voice of the “Generation of ’45,” post-World War II poets notable for their austere style. In 1945 he joined the Brazilian diplomatic service and served in posts on four continents until his retirement in 1990. His poetry, however, was most influenced by his experience of Spain, and especially by the cities Sevilla (Seville) and Barcelona.
Melo Neto gained widespread popularity with Morte e vida Severina (1955; “Death and Life of a Severino”), a dramatic poem that made use of literatura de cordel, a popular narrative in verse. It was published in Duas águas, one of his more than 30 books of poetry. He was elected to the Brazilian Academy of Letters in 1968, the year that his Poesias completas was published.
Melo Neto received a number of honours and awards, including Portugal’s prestigious Camões Prize (1990) and the Neustadt International Prize for Literature (1992). When he became virtually blind in 1994, he ceased writing poetry, being unable, he said, to separate his art from visual perception.
“As principais entradas da poética de João Cabral de Melo Neto são Recife e Sevilha. Afora os livros a uma e a outra dedicados, há aqueles cujos versos guardam, nas entrelinhas, a experiência do homem apaixonado por essas cidades. Recife e Sevilha são uma das mais importantes sínteses da obra deste que é poeta maior da língua. Seriam cidades inconciliáveis por semelhanças e diferenças, se nelas o poeta não tivesse vivido. O Recife do menino de engenho e do rapaz mundano e a Sevilha do homem feito andarilho por força de sua carreira de diplomata. Recife e Sevilha formam o mote de seus versos mais fecundos – e do documentário ‘Recife/Sevilha – João Cabral de Melo Neto’.” (Extraído de Programadora Brasil/5)
Este ano Joaquim Machado de Assis completaria 180 anos. Jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, entre suas publicações mais conhecidas estão Dom Casmurro e Memórias póstumas de Brás Cubas, um dos melhores livros satíricos já escritos.
Para celebrar esta efeméride, hoje temos a oportunidade única de escutar em Barcelona uma das suas maiores estudiosas de sua obra, Sonia Netto Salomão, às 18h30, no salão de atos da Escola Oficial de Idiomas. Promovido pelo Departamento de Português EOIBD e com o apoio do Centro Cultural do Brasil em Barcelona, a entrada do evento é livre. A apresentação será realizada pelo nosso diretor Wagner Novaes.
Na próxima segunda-feira, dia 18 de novembro, às 19h, o Centro Cultural do Brasil em Barcelona recebe cinco pesquisadoras brasileiras residentes em Lisboa para conversar sobre a literatura brasileira e lusófona. O evento é gratuito e as vagas são por ordem de chegada, de acordo com a capacidade do recinto.